Na breve primavera progressista dos governos do Partido dos Trabalhadores, entre 2003 e 2016, as forças progressistas de esquerda se deixaram iludir por fenômenos e movimentos conservadores, sobretudo no âmbito cultural, religioso e lúdico. A visão esquerdista ainda estava muito presa no âmbito político e econômico, que conduzia as atividades sindicais, e o âmbito midiático-jornalístico, que conduzia as análises acadêmicas e dos próprios cronistas da imprensa esquerdista. Ninguém poderia imaginar que fenômenos "extremamente populares", em tese vinculados ao cotidiano do povo pobre, podem representar interesses tão fortemente conservadores, caraterísticos da direita brasileira. Só recentemente se soube que um dos veículos que mais divulgaram essa "cultura demasiado popular", o SBT de Sílvio Santos, tornou-se também o mais entusiasmado reduto do bolsonarismo, ideologia de extrema-direita representada pelo hoje presidente Jair Bolsonaro. "Funk" e ...